Neste domingo, St. James’ Park se prepara para mais uma edição do Tyne-Wear Derby, um confronto que raramente decepciona quando se trata de emoção pura e momentos inesquecíveis. Esqueça as tabelas da liga por um segundo; quando Newcastle joga contra Sunderland, é uma questão de direitos de se gabar, pura e simplesmente. E ao longo das décadas, essa rivalidade proporcionou alguns capítulos verdadeiramente icônicos, às vezes infames.
Pense em abril de 2006. Alan Shearer, o maior artilheiro do clube com 206 gols, havia anunciado sua aposentadoria. Seu último jogo em St. James' deveria ser uma coroação contra o Sunderland. Em vez disso, o então técnico Glenn Roeder o deixou no banco, colocando-o em campo apenas aos 67 minutos. O Newcastle já vencia por 3 a 0, a caminho de uma confortável vitória por 4 a 1. Shearer marcou um pênalti, seu 206º e último gol, mas a decisão de mantê-lo fora do time titular pareceu uma estranha nota de rodapé para uma atuação de outra forma dominante. Os torcedores comentaram por semanas, imaginando se Roeder estava tentando impor algum tipo de autoridade, ou simplesmente desrespeitou uma lenda. Honestamente, foi uma decisão bizarra, privando os fiéis Magpies de ver seu herói liderar o ataque uma última vez em um derby.
Mas se estamos falando de alegria pura e inalterada para um lado, não se pode ignorar o momento de Paolo Di Canio. 14 de abril de 2013, Stadium of Light. O Sunderland, sob o comando de Di Canio, lutava pela sobrevivência. O Newcastle, comandado por Alan Pardew, parecia apático. O placar estava em 0 a 0 até que Stephane Sessegnon quebrou o impasse aos 27 minutos. Adam Johnson adicionou outro aos 74, mas foi a corrida de Di Canio na linha lateral após o gol de David Vaughan aos 82 minutos que selou a vitória por 3 a 0 e se tornou a imagem duradoura. O técnico italiano, com os braços agitados, deslizando de joelhos, uma imagem de êxtase selvagem. Naquele dia, o Sunderland não apenas venceu; eles humilharam seus rivais em seu próprio campo, e a celebração de Di Canio encapsulou perfeitamente a catarse dos Black Cats. Foi um verdadeiro momento de "esfregar na cara", do tipo que fica na garganta dos torcedores do Geordie por anos.
Depois, há a picada recente, aquela que ainda dói para os torcedores do Sunderland. 6 de janeiro de 2024. Terceira Rodada da FA Cup. Perdendo por 1 a 0 em casa para o Newcastle, uma bola alçada na área, atingindo Dan Ballard, do Sunderland. Ela ricocheteou nele, depois no companheiro de equipe Pierre Ekwah, antes de cair nos pés de Alexander Isak. Isak não hesitou, marcando para uma vantagem de 2 a 0. O gol contra, oficialmente creditado a Dan Ballard, pareceu um soco no estômago. Tirou a vida do Stadium of Light. E para um jovem jogador como Chris Rigg, um promissor meio-campista de 16 anos que jogou 80 minutos naquele dia, fazer parte de uma derrota por 3 a 0 em um derby em casa será uma dura lição. Já é difícil perder, mas contribuir para o placar contra seu maior rival? Essa é uma pílula difícil de engolir para qualquer jogador, muito menos para um adolescente.
Neste domingo? St. James' será um caldeirão. O time do Newcastle de Eddie Howe encontrou alguma forma, vencendo seus últimos três jogos, incluindo uma sólida goleada por 4 a 0 sobre o Tottenham. O Sunderland, por sua vez, ocupa a 13ª posição no Championship. A questão é: a forma muitas vezes desaparece nesses jogos. Mas o Newcastle em casa, com a torcida a seu favor, não permitirá que a história se repita. Prevejo uma vitória dominante por 3 a 1 para os Magpies, com Anthony Gordon marcando dois gols.