Falando sério, a liga francesa tem sido uma corrida de um cavalo só por uma década, e é fácil apontar o dedo para o dinheiro da QSI. Desde a aquisição pela Qatar Sports Investments em 2011, o Paris Saint-Germain ganhou dez dos últimos doze títulos da Ligue 1. Antes disso, o PSG tinha apenas dois títulos de liga em toda a sua história, o último em 1994. A mudança é inegável.
Olhe os números. Na temporada 2012-13, o PSG conquistou seu primeiro título da era QSI com 83 pontos, confortáveis 12 pontos à frente do Marseille. Os gastos começaram quase imediatamente. Naquele verão, eles trouxeram Zlatan Ibrahimović e Thiago Silva por um total de €62 milhões. Avançando para 2015-16, uma temporada verdadeiramente dominante onde eles garantiram o título por absurdos 31 pontos sobre o Lyon, terminando com 96 pontos, um recorde da Ligue 1. Naquele ano, Angel Di Maria chegou por €63 milhões, adicionando outra superestrela a um elenco já recheado.
A era Mbappé, que realmente decolou quando ele chegou por empréstimo em 2017 antes de uma transferência permanente de €180 milhões, solidificou seu domínio. De 2017-18 a 2023-24, o PSG ganhou seis dos sete títulos da liga. O único deslize foi na temporada 2020-21, onde o Lille, com um orçamento significativamente menor, conseguiu uma surpresa, vencendo por um único ponto com 83 contra 82 do PSG. Naquele ano, Mbappé ainda liderou a liga em artilharia com 27 gols, provando que nem mesmo o brilho individual podia sempre superar a coesão da equipe. Na temporada 2021-22, o PSG se recuperou, garantindo o título com 86 pontos, 15 à frente do Marseille, com Mbappé novamente no topo da artilharia com 28 gols e adicionando impressionantes 17 assistências.
**A Sala de Máquinas Financeira**
A questão é a seguinte: as pessoas adoram falar sobre os gastos, mas a receita também explodiu. Em 2011, antes da QSI, a receita do PSG era de cerca de €100 milhões. Em 2023, ela teria ultrapassado os €800 milhões, tornando-os um dos clubes mais ricos do mundo. Eles contrataram Neymar por um recorde mundial de €222 milhões em 2017, e mesmo com esse gasto, os acordos comerciais do clube e o aumento do dinheiro da participação na Liga dos Campeões mantiveram o balanço saudável. Mbappé, apesar de seus salários astronômicos, também era uma máquina de marketing, vendendo milhões de camisas e atraindo patrocinadores globais. Sua saída, embora liberando um espaço salarial significativo (supostamente €70-80 milhões brutos por ano), inegavelmente impactará a receita comercial no curto prazo.
O PSG pós-Mbappé será fascinante. Eles acabaram de ganhar o título de 2023-24 com 76 pontos, nove pontos à frente do Monaco, com Mbappé marcando 27 gols em 29 jogos da liga. Essa é uma produção enorme para substituir. Luis Enrique, o técnico, deixou claro que quer uma abordagem mais coletiva. Eles já trouxeram jogadores como Gonçalo Ramos e Randal Kolo Muani por grandes quantias, mas nenhum deles mostrou consistentemente a capacidade de Mbappé de decidir jogos. Acho que o PSG ainda vai ganhar a Ligue 1 na próxima temporada, simplesmente porque a diferença de talento ainda é enorme. Mas acho que os dias de temporadas com mais de 90 pontos e margens de 15-20 pontos podem ter acabado, pelo menos por um ou dois anos. A concorrência, embora ainda muito atrás financeiramente, pode sentir uma pequena abertura. Minha opinião ousada? O maior desafio para o PSG não é substituir os gols de Mbappé, é substituir sua pura presença, a forma como os defensores o marcavam em dobro e abriam espaço para os outros. Isso não é facilmente quantificável.
**Previsão:** O PSG vence o título da Ligue 1 de 2024-25, mas por uma margem de cinco pontos ou menos.