Lembra-se daquela temporada de 2017-18? Mohamed Salah era um código de trapaça, não era? Ele marcou 44 gols em todas as competições em sua campanha de estreia pelo Liverpool, uma marca ridícula que o levou a conquistar a Chuteira de Ouro da Premier League com 32 gols em 36 jogos da liga. Ele era imparável, marcando todos os tipos de gols imagináveis: finalizações de artilheiro, arrancadas fulminantes e até alguns golaços de fora da área. Então, quando o Prêmio FIFA Puskás de "gol mais bonito" do ano foi para Salah em setembro de 2018, parecia certo, quase inevitável. Exceto por um pequeno detalhe: o gol em questão.
Foi contra o Everton, um derby de Merseyside em Anfield em 10 de dezembro de 2017. Salah pegou a bola na ponta direita, driblou Idrissa Gueye, cortou para dentro passando por Cuco Martina e então chutou de pé esquerdo, encobrindo Jordan Pickford no ângulo superior. Um belo gol, sem dúvida. Mas o Puskás? A internet, como sempre, enlouqueceu. E nem todos estavam convencidos. A grande questão aqui? Aquela vitória do Puskás foi mais sobre o trem do hype de Salah atingindo velocidade máxima do que a pura genialidade daquele lance específico. Ele teve gols melhores naquela temporada, pura e simplesmente.
O mais vocal dos dissidentes, e talvez o mais engraçado, foi seu próprio companheiro de equipe, James Milner. Alguns dias depois de Salah receber o prêmio, Milner foi ao Twitter com um clássico toque de humor seco: "Parabéns @MoSalah pelo seu 7º melhor gol da temporada passada ter ganhado o gol do ano #grandechute #puskas #melhoresgols." Aquele tweet viralizou, e honestamente, Milner não estava errado. Pense em alguns dos outros gols que Salah marcou naquela temporada. Seu segundo contra o Tottenham em Anfield em fevereiro de 2018, onde ele driblou três defensores antes de encobrir Hugo Lloris, parecia mais audacioso. Ou seu esforço solo contra o Watford em março, onde ele deixou Miguel Britos no chão antes de marcar seu *quarto* gol do jogo em uma goleada de 5 a 0. Aqueles foram obras-primas de habilidade individual e compostura.
O Prêmio Puskás sempre teve esse elemento estranho, não é? É votado pelos fãs, o que significa que a popularidade muitas vezes desempenha um papel tão grande quanto a beleza estética real. Salah era inegavelmente o jogador mais comentado no futebol mundial naquele momento, recém-saído de quebrar o recorde de gols em uma temporada de 38 jogos da Premier League. Seu gol contra o Everton foi bom, um empate de 1 a 1 naquele dia, mas faltou a audácia pura da bicicleta de Gareth Bale na final da Liga dos Campeões contra o Liverpool mais tarde naquela temporada, ou a bicicleta de Cristiano Ronaldo contra a Juventus. Ambos também foram indicados, e francamente, ambos foram mais espetaculares. Os eleitores do Puskás muitas vezes parecem gravitar em torno da narrativa geral de um jogador, em vez do momento singular. Não é uma coisa ruim, necessariamente, mas às vezes faz você coçar a cabeça.
Isso não diminui a incrível temporada de Salah, é claro. Ele foi sensacional, um verdadeiro craque que levou o Liverpool à final da Liga dos Campeões. Mas aquela vitória do Puskás? É um asterisco divertido em um ano que, de outra forma, seria perfeito. Minha previsão ousada: Veremos outro prêmio votado por fãs ir para um jogador popular por um gol "bom", ignorando um "ótimo" de verdade, nos próximos três anos. É assim que as coisas funcionam.