Está chegando, quer queiramos admitir ou não. O dia em que Mohamed Salah vestirá a camisa do Liverpool pela última vez. Por nove temporadas, Anfield foi seu palco, um lugar onde ele construiu um legado que poucos poderiam ter previsto quando ele chegou da Roma por modestos £34 milhões em 2017. Ele não é apenas um artilheiro; ele é *o* artilheiro, ocupando o quinto lugar na lista de todos os tempos do clube com 211 gols em 349 jogos, atrás apenas de nomes como Ian Rush e Roger Hunt. Isso é uma produção absurda para um ponta.
A questão é que isso não é um declínio lento. Salah ainda está entregando. Ele marcou 25 gols em todas as competições na temporada passada e adicionou 18 assistências, provando que ainda é um criador de classe mundial, mesmo se aproximando de seu 32º aniversário. Ele até marcou 19 gols na Premier League, terminando em quinto lugar na corrida pela Chuteira de Ouro. Esses não são números de um jogador em fim de carreira; esses são números de um jogador que ainda dita os jogos. Mas com seu contrato expirando no verão de 2025 e o interesse saudita sendo um zumbido constante, parece que o destino está selado. O Liverpool não vai deixá-lo sair de graça.
Uma despedida adequada para Salah envolveria levantar alguns troféus, não é? Ele já ganhou a Premier League, a Liga dos Campeões, a FA Cup e a Copa da Liga. Ele foi fundamental na final da Liga dos Campeões de 2019, marcando um pênalti contra o Tottenham apenas dois minutos após o início do jogo. Ele também converteu o pênalti decisivo na disputa de pênaltis da final da FA Cup de 2022 contra o Chelsea. O homem entrega em grandes momentos.
Mas mais um grande troféu, talvez a FA Cup novamente, ou até mesmo uma chance na Liga dos Campeões, seria um final adequado. A recente campanha do Liverpool na FA Cup os viu vencer o Arsenal por 2 a 0 no Emirates e o Norwich City por 5 a 2 em Anfield. Eles foram eliminados pelo Manchester United em um emocionante confronto de quartas de final por 4 a 3, um jogo em que Salah marcou. Essa derrota dói, especialmente depois de estarem vencendo por 2 a 1 na prorrogação. Pareceu uma oportunidade perdida para uma despedida adequada. A questão é: embora o sentimento de uma despedida com troféu seja bom, é uma noção romântica que raramente se concretiza perfeitamente. A prioridade do Liverpool é sempre vencer, independentemente de quem está saindo.
A verdadeira dor de cabeça para o novo diretor esportivo do Liverpool, Richard Hughes, e para quem assumir o lugar de Jürgen Klopp, será substituir a produção de Salah. Você não encontra outro jogador que marque consistentemente mais de 20 gols e mais de 10 assistências pela ponta direita. É uma tarefa quase impossível. Luis Díaz, Diogo Jota e Cody Gakpo são todos talentosos, mas nenhum deles possui a mistura única de velocidade, força e finalização clínica de Salah. Jota teve uma temporada forte com 15 gols em todas as competições, mas também é propenso a lesões. Os 13 gols de Díaz foram decentes, mas ele ainda carece da consistência do Rei Egípcio.
A verdade é: o Liverpool pode precisar contratar dois jogadores para sequer chegar perto de replicar o impacto de Salah. Talvez um ponta direto e um meio-campista criativo para dividir o fardo. O mercado de transferências para um jogador do calibre de Salah é astronômico, provavelmente acima de £100 milhões. Minha aposta? O Liverpool não o substituirá diretamente. Eles evoluirão seu sistema, espalhando a responsabilidade de marcar gols por vários jogadores, assim como o Manchester City fez depois que Sergio Agüero saiu. Não será tão emocionante, mas pode ser mais sustentável.
Salah terá sua grande despedida, provavelmente uma ovação de pé que durará minutos, com lágrimas fluindo livremente da Kop. Ele não merece menos. Mas o maior desafio para o Liverpool não será dizer adeus; será descobrir como vencer sem ele. Prevejo que o Liverpool contratará um jovem e promissor ponta da Bundesliga, como Jeremie Frimpong do Bayern Leverkusen, e um artilheiro comprovado de um time de meio de tabela da Premier League para tentar preencher o vazio.